OS INDICADOS VIAJA: Amsterdã

Aposto que, assim como eu, você leu esse livro ainda na escola. O Diário de Anne Frank, cuja primeira edição foi lançada em 1947, é uma das obras mais conhecidas do mundo.

O diário original está em exposição na Casa de Anne Frank, museu inaugurado em1960 no mesmo local onde Anne, ao lado do pai Otto, da mãe Edith e da irmã Margot esconderam-se em Amsterdã.

A família chegou à Prinsengracht em 1942. No total, oito pessoas viveram na casa até a chegada da polícia. Os ambientes contam hoje um pouco dessa história, por meio de fotos e depoimentos dos sobreviventes, incluindo do pai de Anne.  Otto conta no vídeo que, embora soubesse da existência do diário, jamais imaginara o que a filha ali escrevia. Ela nunca dividira com ele seus pensamentos e sentimentos.

Percorrer os cômodos estreitos, com janelas vedadas, e refletir o que aquelas famílias e, em especial, aquela garotinha cheia de sonhos, passou é muito emocionante. Até o banheiro tinha que ser usado o mínimo possível para não chamar a atenção das outras pessoas. “Durante o dia, não podemos pisar o chão com força e temos quase que cochichar em vez de falar, pois lá no armazém, não nos devem ouvir. (…) nem uma gota de água pode correr, já não se pode  ir ao banheiro, não se pode andar, tudo quieto”, contou Anne em um trecho.

Ela ganhou o diário quando tinha 13 anos. “Ao escrever esqueço-me de tudo, a minha tristeza dissipa-se e o meu espírito revigora“, anotou em 5 de abril de 1944. Anne, que sonhava ser jornalista e uma escritora famosa, passou a escrever em cadernos quando o seu diário chegou ao fim.

Uma denúncia anônima levou a SS até o esconderijo na Prinsengracht. Todos foram deportados para o campo de Westerbork e de lá para Auschwitz. Anne, assim como a irmã, morreu de tifo em Bergen-Belsen em 1945.  Somente o pai sobreviveu; a mãe morreu de exaustão em Auschwitz.

Quando voltou para a Amsterdã, Otto recebeu das mãos de Miep Gies, que trabalhara no escritório e fora definida em um trecho do diário como o “burro de carga” da família, os manuscritos da filha. Quando o esconderijo foi arrombado pela polícia, Miep foi presa e depois liberada. Voltou, então, à casa e, ao se deparar com o diário e os cadernos, fez questão de esconder o material até que a família voltasse.

Ao lado do Museu Van Gogh, do Distrito da Luz Vermelha e dos coffee shops, a Casa de Anne Frank é um dos pontos turísticos mais famosos de Amsterdã. É também um dos mais emocionantes e até surpreendentes.

No fim da visita, você se depara com um Oscar. Sim, uma estatueta original, cedida por  Shelley Winters.

Durante as filmagens de O Diário de Anne Frank, a equipe recebeu no estúdio a visita de Otto Frank.

 

Em sua autobiografia, a atriz norte-americana conta sobre o encontro e a promessa que fez na época. E é esse o trecho destacado ao lado da estatueta:

“Mr Frank, if I win an Oscar for The Diary of Anne Frank, I promisse I’ll bring it to the Anne Frank Museum in Amsterdam”.

He smiled and said, “That would be a very difficult thing to do, wouldn’t it, Shelley?”

I equivocated, “Yes, but I’ll keep it for a while and then bring it to the museum”. And that’s what I did.”

Shelley interpretou  Petronella Van Daan no filme de 1959, que ganhou outras duas estatuetas. Aliás, ela não esqueceu de Anne durante o seu emocionado  discurso:

SERVIÇO

A Casa de Anne Frank
Preço: 8,50 euros
Conta com guia em português de Portugal
Por conta das escadas íngremes, alguns ambientes são de difícil acesso para pessoas com dificuldade de locomoção.

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