CINEMATECA OS INDICADOS: Festival de Paulínia

Mayday! Mayday!

Segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, a edição de 2012 Festival de Cinema de Paulínia foi cancelada, porque a Prefeitura pretende utilizar a verba para construir casas e escolas, além de investir em saúde e meio ambiente.

O governo municipal e os organizadores do evento batem cabeça em relação aos custos – enquanto a Prefeitura divulga R$ 10 milhões; os produtores falam em R$ 3,5 milhões, sem esquecer de destacar a possibilidade de captação de recursos via Lei Rounaet.

Após o anúncio ontem, a classe artística já começou a se manifestar contra a suspensão. Ao Estadão, Fernando Meirelles informou que “É inacreditável a falta de compromisso do poder público para com um patrimônio cultural brasileiro, sim, pois, Paulínia, em tempo recorde, já tinha virado referência no calendário da nossa indústria. Como otimista incorrigível – ou estúpido? – ainda acredito que o bom senso vai prevalecer”, destacou o cineasta.

Leia Mais aqui.

Cinemateca OS INDICADOS: ODEON

“O quê? Você foi ao cinema?”. Essa é sempre a reação que causo.

Para mim, ir ao cinema em um outro país é também um programa cultural e, principalmente, uma oportunidade para acompanhar de perto os hábitos dos nativos.

Por exemplo, você sabia que, em Portugal, há uma pausa no meio do filme? Sim, há um intervalo, durante o qual as luzes são acendidas, todo mundo sai da sala e aproveita esses minutinhos para tomar um café ou ir ao toilette.

Os madrilenhos não tem um hábito inusitado, digamos, como os portugueses, mas até não consigo descrever a emoção que senti ao ver Volver na terra Almodóvar. Aliás, só um filme espanhol ou em castelhano merecer ser visto na Espanha, porque não existe filme legendado lá. Tom Hanks, Julia Roberts, todo mundo soa como Antonio Banderas e Penélope Cruz.

Na Inglaterra, o ingresso para o cinema é tão caro quanto no nosso Cinemark ou Kinoplex. Paga-se mais no Odeon e não é por serviços mais VIPs, como os oferecidos pelo Cidade Jardim.

O Odeon, localizado em Leicester Square, pertinho de Picadilly Circus, é o cinema das premieres. O primeiro 007 com Daniel Craig, por exemplo, estreou lá, com presença do Duque de Edinbugh e da Rainha Elizabeth II (veja notícia aqui).

Um pouco dessa história gloriosa é contada no segundo andar, ao qual você tem acesso somente após desembolsar quase 15 libras – e esse é o preço para estudante!!

A sala não tem frescura: boa poltrona, assentos marcados, lanterninha e um som que mata de susto nos primeiros segundos. Sim, de tão alto e tão bom.

O Odeon também padece do mesmo mal que as nossas redes – há um excesso de filmes publicitários, uma maneira de engordar o faturamento das cadeias e irritar os clientes.

O filme que fui ver? Bom, esse é outro post.

Serviço:

Odeon Cinemas

Construído em 1937, 24-26 Leicester Square, em Londres.

O Odeon já passou por várias mãos e pertence hoje ao Grupo UCI.

 

 

 

Cinemateca OS INDICADOS: Cinecarioca

Desde dezembro de 2010, a comunidade do Complexo do Alemão possui uma econômica e prazerosa opção de lazer: o Cinecarioca Nova Brasília, que cobra apenas R$4 por sessão.

A tava de ocupação da sala, que possui sistema 3D, é de 51%, quase o dobro da média do Estado do Rio. Segundo o gerente entrevistado pela reportagem do Estadão, “vem gente até de Copacabana e já há demanda por venda de ingresso pela internet”. A reportagem garante, ainda, que “a venda de  DVDs piratas nas banquinhas próximas diminuiu”.

Uma ótima notícia para começar a semana, não?

PS: Leia mais sobre a iniciativa na matéria de hoje do Estadão: Cinemas populares são sucesso de bilheteria.

CINEMATECA OS INDICADOS: CINE AVENIDA e CINE ARENAL

Michael Eastman é um dos mais reconhecidos fotógrafo contemporâneos. Umverdadeiro artista. Sua obra é muito reconhecida pela exploração da arquitetura, revelando uma misteriosa narrativa sobre tempo e espaço. Ele persiste na fotografia em película e fazendo ele mesmo suas revelações.  Michael já registrou as belezas de diversas cidades: Havana, Paris, Roma e New Orleans.

As fotos acima são dele  e mostram as fachadas de dois cinemas em Havana, Cuba: o Cine Arenal e o Cine Avenida. Vejam outras fotos lindíssimas no site oficial do artista.

Infelizmente eu não tenho mais informações sobre os dois cinemas. Quem conhecer esses ou outros cinemas que possam ser homenageados aqui no CINEMATECA OS INDICADOS comentem.

abs,

@abelardobarbosa

CINEMATECA OS INDICADOS: BELAS ARTES

A campanha para salvar o Belas Artes, em São Paulo, não foi  suficiente.  O cinema irá fechar não por falta de patrocínio, mas porque o proprietário do imóvel quer o espaço de volta para abrir uma loja.   Os 32 funcionários já receberam o aviso prévio. “Venceu a visão mesquinha”, disse  à reportagem da Folha, André Sturm, que administrava o Belas Artes junto com a O2, do cineasta Fernando Meirelles. O espaço tem de ser entregue até fevereiro.

Patrimônio da cidade

Fundado em 1952 como Cine Trianon e batizado de Belas Artes em 1967, o espaço foi reformado e ampliado na década de 80. Suas salas ganharam nomes de artistas brasileiros: Heitor Villa-Lobos, Cândido Portinari, Oscar Niemeyer, Aleijadinho, Mario de Andrade e Carmen Miranda.

A Pandora, de Sturm, e a O2 assumiram o cinema em 2003 e, um ano depois, o HSBC começou a patrocinar o espaço. A parceria foi encerrada em maio de 2010.

Fonte: FolhaPress.

 

Balada no cinema

Em 2004, o Belas Artes ofereceu mais uma alternativa à agitada noite paulistana: o Noitão reunia, a partir da  meia-noite,  interessados  de todas as faixas etárias para a assistir 3 filmes, sendo que um era surpresa.

 

“Divulgado pelo boca -a boca,  fiquei sabendo do noitão por uma amiga que gosta de Godart e Kurosawa. Chegar ao cinema à meia noite é estranho, mas logo você vê a concentração de pessoas antenadinhas, cults de calça xadrez e aqueles tipos com cara de quem faz Filosofia na USP e só aí você percebe que não estavam tirando onda da sua cara, o noitão existe. Claro, no local concentram-se tambem alguns publicitários e com certeza estudantes de cinema. Encontro a amiga cult na bilheteria, pagamos o valor de um único ingresso e de cara já sabemos quais são os dois primeiros filmes que vamos assistir – eram filmes da grade de programação do cinema. O terceiro filme era surpresa. Não lembro dos filmes que assisti. Lembro dos filmes surpresas em algumas ocasiões (provavelmente algum deles foi no Unibanco e não no Belas artes). Fui surpreendido positivamente pelo clássico A Batalha de Argel, de 1966, que possui cenas que inspiraram cineastas de filmes mais modernos. Outra surpresa foi Deu Zebra,  filme de uma zebra que quer ser cavalo de corrida – pelo menos acho que é isso, pois eu sai no meio devido a minha baixa tolerância a filmes com animais protagonistas. Outro filme foi Harry, um filme francês tentando ser Hollywood sobre um psicopata. Eu dormi nesse confesso e acordava sempre nas cenas de assassinato com o som altíssimo. A experiência sempre foi boa, o grupo de pessoas eram amantes de cinema e os papos sempre eram agradáveis. No noitão do Belas Artes rolava um sorteio de brindes algumas vezes. Eu nunca ganhei nada. No Noitão do Unibanco tinha um Dj nos intervalos dos filmes. E no Belas Artes dizem às seis da manhã tinha um café da manhã. Eu, infelizmente, nunca cheguei a ver o fim do Noitão e tomar o pingado com pão na chapa”, Abelardo Barbosa, colaborador deste e do PromoPlanners.

 

“Então, fui no Noitão Belas Artes em meados de 2010, adorei, fui assistir o “Noitão Lado B” um especial com 4  filmes inspirados nos clássicos da década de  70, filmões populares, produções baratas.  Tarantino com o sensacional A prova de morte, depois Tokyo First  a Epidemia e a surpresa que sempre tem no final. Fiquei triste com esta história que vai fechar. Onde fica a cultura acessível? E os filmes fora do circuito comercial para os cinéfilos de plantão? A cidade vai perder muito com tudo isso“,  Meggy Araújo, jornalista e mulher.

 

” Ouvi dizer que vai fechar; é realmente uma pena, se quer saber. Era uma opção barata de lazer para as sextas que você simplesmente não está na vibe de encher a cara ou dançar. Tudo meio informal, mas pra lá de organizado. Serviço bacana, muito limpinho. Gente hype, gente estranha, gente bonita: era mesmo divertido socializar com os camisas xadrez e as scarpins vermelhos. E os filmes, claro. Polêmicos, esquisitos, divertidos. Lembro de ficar encantado com Rumba, lembro de dormir no chão do cinema em The Unborn, lembro de não desgrudar os olhos de Trouble Every Day. Todos completavam a experiência cinéfila que, veja a ironia, pouco tinha a ver com os filmes em si. Era tudo sobre amigos, sobre o café nos intervalos, sobre os sorteios de camisetas e filmes, sobre o lanche da manhã depois da maratona. Uma experiência completa, assim, com 11 letras. Enfim, era bem gostoso. Uma pena que tenha acabado, meu deus. Lá se vai uma fonte certa de cultura e diversão acessível. Resta torcer para surgir nessa cidade algo a altura. Será?”, Cacau Lima, estudante de Comunicação Social.

 

“#belasartes fechar é triste, sentimento de “venceu a ignorância”, Daniela Ramos no twitter.

 

“Foram divertidissimas todas as vezes que fui no Noitão. Era uma oportunidade para juntar uma galera legal e assistir bons filmes – praticamente uma maratona cinematográfica. Ótima relação custo benefício. Inclusive, alguns filmes como The Rocky Horror Picture Show, entre outros, eu não teria visto se não fosse lá. O pessoal que ia nas seções também contribuíam para deixar o Noitão com um clima de “Parque de Diversões para quem gosta de cinema”.  O Noitão, independente do fim do Belas Artes, é uma baita idéia que deveria evoluir e agregar mais coisas no pacote oferecido”, Tercio Silveira. 

Programação Especial

Os administradores do Belas Artes planejam, além de procurar um novo local, um especial de celebração da trajetória deste cinema, com os filmes mais importantes já exibidos.

 

Quem mais vai para  fila, hein, Cris Camarena? o/

Cinemateca OS INDICADOS: CINE SÃO JOSÉ

Anualmente várias publicações premiam as melhores salas de cinema. São levados em conta a qualidade da projeção e do som, o serviço, as poltronas reclináveis e até o preço.

Este blog decidiu destacar salas de cinema Brasil e do  mundo (por que não?) afora e celebrar sua arquitetura, sua decoração, sua história e/ou qualquer outra característica que torne aquele ambiente único. Recuperados ou não, em atividade ou não, acreditamos que vale registrar esses templos, que, com certeza, deram alegrias e alimentaram as fantasias e a imaginação de muitas pessoas.

É o caso, por exemplo, do Cine São José, inaugurado em 1951 em São Roque, cidade localizada a 60 km da capital paulista, com 1400 lugares.

A primeira sessão exibiu Deus Lhe Pague, um filme argentino baseado em um espetáculo teatral escrito por Joracy Camargo.

O Cine São José, que também abrigou peças de teatro,  foi desativado em 1998. Enquanto as poltronas foram doadas para uma companhia de teatro (leia mais aqui), parte do teto desabou com chuvas há dois anos (matéria aqui).  O imóvel continua inutilizado.  Um triste fim.

PS1: Cinemateca, segundo o Houaiss, significa: 1.coleção de filmes; 2. local onde são guardados os filmes que despertam interesse especial; 3.entidade incumbida de guardar esses filmes; 4. sala para exibição de filmes.

PS2: Ajude a imortalizar uma sala de cinema. Mande história e foto para osindicados@gmail.com.