Frame: 2 Dias em New York

Julie Delpy voltou mais Julie Delpy do que nunca, ao lado de um comedido Chris Rock e na Grande Maçã. Acredita?

PS: Mais Julie Delpy aqui.

WishList: TerraMarEAr

Tem coisa mais gostosa que unir duas paixões como cinema e turismo?

Pois, assim como temos a seção OS INDICADOS VIAJA, Ruy CastroHeloisa Seixas lançaram um livro no qual dividem suas peripécias ao redor do mundo, muitas delas instigadas pelo curiosidade e desejo do cinéfilo Ruy.

Assim chegaram até Ravello, uma cidadezinha italiana onde “durante a primavera de 1953, uma trupe de atores internacionais – os americanos Humphrey Bogart e Jennifer Jones, a italiana Gina Lollobrigida, o inglês Robert Morley, o húngaro Peter Lorre e uma equipe inteira de coadjuvantes e técnicos ingleses e italianos, dirigidos pelo americano John Huston – ocupou Ravello para filmar Beat The Devil (O Diabo Riu por Último), baseado no romance do inglês Claud Cockburn (pronuncia-se Có-burn)”.

 

Com um contador de histórias como o Ruy, é claro que há deliciosas curiosidades em cada ensaio. “Começou quando, a poucos dias das filmagens, o carro que transportava Huston e Bogart, por imperícia do motorista, chocou-se contra um muro na estrada. Os dois foram projetados para o banco da frente. Huston não teve nada, mas Bogart mordeu a língua com tanta força que quase a atravessou com os dentes – ficou com a ponta pendurada. No pronto-socorro, o médico que o atendeu disse que as espetadas da anestesia doeriam tanto quanto as da agulha que iria usar para costurar a língua – donde iria direto para a costura, a frio. Bogart, que, apesar de ser de família fina, era corajoso de verdade, ouviu aquilo e se submeteu , sem gemer. Dias depois, começou a filmar normalmente, exceto por suas falas, que estavam saindo muito baixas. Huston disse que, quando chegasse a hora, esse problema seria resolvido pela dublagem. E foi mesmo, mas sem Bogie, que, quando a hora chegou, já tinha voltado para os Estados Unidos. Quem o dublou, imitando sua voz, foi um ator inglês, ainda desconhecido: Peter Sellers”.

Veneza – Ruy também jura que “um turista paciente” é capaz de, como ele, descobrir o local exato em que Katharine Hepburn cai no canal em Quando o Coração Floresce.

 

NY – Outro trecho imperdível é o Roteiro das duas Manhattans – Sim, há a de araque, made in Hollywood, e a legítima, de mámore e lambris – e ambas são as mesmas, escrito em 1989.

Pois imagine você que “Quase todos os filmes “de Nova York” até por volta de 1965 foram filmados em Hollywood. As exceções foram algumas sequências de Farrapo Humano (1945), Um Dia em Nova York (1949), A Embriaguez do Sucesso (1957), Amor, Sublime Amor (West Side Story, 1961) e poucos mais  – mas só os diretores desses filmes sabem o quanto tiveram que lutar para que o estúdio permitisse o deslocamento da equipe. O normal era que, uma vez estabelecido para o espectador que o filme se passava em Nova York, tudo o mais fosse construído em estúdio, imitando a arte.

Nos anos 40 e 50, havia uma maneira infalível de mostrar que “estávamos” em Nova York: a câmera dava uma geral em Times Square, na qual se deslocava o anúncio luminoso do cigarro Camel, composto de uma boca gigante, da qual saíam, dia e noite, belas espirais de fumaça”.

“O Empire State Building que aparece na primeira versão de King Kong (1933), por exemplo, é o próprio, inaugurado poucos meses antes, mas ninguém do elenco nem sequer chegou perto da esquina da Quinta Avenida com a rua 34 durante as filmagens.”

 

Gostou? TerraMarEAr “viaja” por Veneza, Berlim, Saint-Tropez, Madri, Barcelona, Havana, Pompeia, Roma, NY, Mougins, Rapallo, Paris, Moscou, Lisboa, Rio, Búzios, Fernando de Noronha, Sevilha e Buenos Aires.

PS: Não deixe também de conhecer outras viagens indicadas aqui no blog –> OS INDICADOS VIAJA

 

 

Paixão, Cinema e Glória

Desde que me mudei, admiro a vizinha do 3º andar. Sempre elegante, com vestido engomado, salto anabella,  cabelo impecável, perfume e maquiagem na medida certa. Para cada saudação, um sorriso e um aceno; caminha com a cabeça erguida, com passos lentos e firmes. Nas suas mãos, a bengala vira um acessório,  que completa o figurino de uma Dama.

Hoje, saindo para almoçar, avistei-a atravessando a rua e não resisti.  Ofereci meu braço à Elegante Dama.

Onde a senhora vai? Posso acompanhá-la até lá.

Vou até o café comprar pão de queijo para o André [porteiro]. Ele trabalhou tanto, merece fazer um lanchinho gostoso. Depois vou almoçar. Sabe, já tenho até mesa cativa naquele restaurante.

Então, acompanho a senhora até o café, depois a deixo no restaurante e levo a encomenda para o André. Estamos combinadas?

Se não for te atrapalhar, eu agradeço.  Você não sabe como me ajudaria. Tenho me cansado muito.

Como a senhora tem passado?

Hoje estou bem, mas há 3 dias dei um susto na minha família, o que foi bem feito porque eles tinham esquecido um pouco de mim. Imagine você que me levaram até para o hospital. Os médicos fizeram vários exames (os de hoje precisam de tudo isso) e  no fim não disseram nada de novo: não tenho nada grave, mas umas coisinhas aqui e ali, típicas de quem tem 88 anos. Mas agora já estou bem. Você gosta de cinema?

Sim, adoro.

Eu também. Hoje é uma grande noite, né? Eu adoro o Oscar. Assisti todos os filmes – pelo menos, os que já estrearam. E sempre fico acordada  até o último minuto.

Tem um favorito?

O Artista, porque cinema é isso – é criatividade, é emoção. Mas eu também acho que a gente precisa dar chance para as novas gerações. Por exemplo, a  Meryl Streep. Ela já ganhou, já foi indicada tantas vezes…

Mas a senhora não gostou dela nesse filme? Aliás, qual o nome da senhora?

Glória. Meu nome é Maria da Glória, mas Glória é como todo mundo me chama. É mais curto, mais rápido.

Gostei. Mas, sinceramente, gostei mais da Glenn Close naquele Alberts Nobbs. Ela está fantástica.

Sim, é verdade. Quem tem chance de levar é a Michelle Williams, que fez a Marilyn. Pelo menos, ela levou o Globo de Ouro.

Esse eu não assisti, porque ainda não estreou. Mas vi que ela está muito parecida. A história da Marilyn é comovente. Ela era muito menina. Quando alcançou a glória, me desculpe o trocadilho, não aguentou, não tinha estrutura uma pena.

Bom, eu fico por aqui. Depois conversamos sobre o resultado do Oscar. Até logo, minha querida. 

 

Até logo. Glória.

OS INDICADOS VIAJA: Bruges

Para muitos, Bruges é considerada a Veneza belga; para outros, é uma extensão da Holanda. A encantadora cidade de apenas 110 mil habitantes é cortada por canais e possui uma arquitetura bem semelhante à de Amsterdã, com construções bem conservadas do século XV, de tijolos aparentes, janelas amplas e aquele tradicional telhado. Tudo isso faz da cidade o cenário perfeito para um bom filme, certo?

E é durante um passeio de barco pelos canais que você descobre os locais que abrigaram algumas produções. É o caso da casa branca aí de cima, que virou hospital em Uma Cruz à Beira do Abismo.

 

Baseado em fatos reais, o filme de 1959 mostra a trajetória da Irmã Luke – da entrada no convento às experiências em meio a II Guerra Mundial. Destaque para a presença de Audrey Hepburn, indicada ao Oscar naquele daquele ano pela atuação. Para o NYT, “In the role of the nun, Miss Hepburn is fluent and luminous. From her eyes and her eloquent expressions emerge a character that is warm and involved”.

 

Mais recente, Na Mira do Chefe também foi indicado ao Oscar pelo seu roteiro. É uma boa opção para quem pensa em visitar a cidade, pois os protagonistas, interpretados por Colin Farrell e Ralph Fiennes, visitam os principais pontos turísticos da cidade. E é no hotel abaixo, às margens de um canal cheio de cisnes, que a maioria das cenas foram gravadas.

E atenção: Bruges não recebeu o título de capital europeia de cultura à toa. A cidadezinha medieval abriga a única escultura de Michelangelo fora da Itália. Feita de mámore branco e datada de 1504, a Madonna e a Criança (Madonna and The Child) pode ser apreciada na Igreja de Nossa Senhora (Church of Our Lady; Onze-Lieve-Vrouwekerk), que ocupa uma posição bem central e pode ser vista de vários ângulos, inclusive durante o passeio de barco pelo canal.

Imperdível!

 

WishList: Harry Potter Das Páginas Para A Tela

Este blog resolveu ajudar quem não sabe o que comprar neste Natal para o companheiro, a família ou para aquele “amigo” secreto da firma.

A primeira dica é essa bíblia escrita por Bob McCabe, um presentaço para fãs da saga de JK Rowling e de cinema. O livro promete revelar informações nunca antes divulgadas sobre as oito megaproduções.

O preço médio é R$ 120, mas você encontra mais barato. Na Saraiva, sai cerca de R$ 110 na loja e R$ 96 na internet; na Fnac, apenas R$ 72.

O meu eu já pedi para o Papai Noel. #etapobreza

 

PS:  Bem que esses posts poderiam ser patrocinados, não? Alô, Saraiva, Fnac, Cultura…eu fuço, eu gosto, eu recomendo. #ficaadica

Pause: Programa de Mulherzinha

E numa dessas noites quentes, decido mudar o roteiro. Ligo para alguns amigos –  os que não estão no trabalho, não estão no mesmo ritmo que eu. Paciência. Corro para casa e, entre goles de cerveja, troco a roupa de trabalho pela de férias – saia e sandália. Volto para a rua e o cinema é o meu destino.

Consigo um assento no meu local preferido: na frente, para poder sair logo, mas não colada na tela; no meio e na distância ideal para me sentir dentro do filme. Irrito-me com as propagandas:   não tem como zapear, não tem como apressar, target errado… e a minha ansiedade só aumenta. Quero que comece logo a sessão. E para mim a sessão começa nos trailers.  

Ah, os trailers. Eu sempre gostei dessa parte. Aliás, é coisa de família. Eu e meu irmão sempre ficamos alucinados com os teasers e você há de convir que ver na telona é outra coisa.

O primeiro foi Nosso Lar, baseado na obra de Chico Xavier.

Não me enche os olhos, mas tenho que admitir: acho que é o filme nacional com mais efeitos que já vi. Não se compara a um hollywoodiano, mas também não faz feio. É um começo.

Depois vem, Amor à Distância. Eu gosto muito da Drew Barrymore e tenho certeza que já disse isso aqui. Acompanho a carreira dela desde pequena – aliás, poderíamos dizer que crescemos juntas (embora ela seja 4 anos mais velha que eu). Sempre tive carinho pela menininha dedo-duro do ET (o meu irmão até dizia que eu era chata que nem ela).

Hoje, muitos anos depois, continuo fã da Drew, cujos filmes são sempre muito bons. Pode ser drama, comédia, ação… nunca saio decepcionada. E esse Justin Long… tô de olho.

CERTEZA que esse filme vai entrar para a minha DVDteca de comédias românticas.

Daí aparece Comer, Rezar e Amar e esse é um dos momentos que você tem certeza de que nada se compara ao cinema.  Eu li o livro em 2007, sei o que vai acontecer… mas tem a Julia. E, depilada ou não, Julia brilha, minha gente.  Brilha mais ainda na telona.

E eu, que já estava satisfeita, passo mal com as poucas cenas de Roma, a cidade mais linda do mundo, e  com as imagens de Javier Bardem, James Franco e Billy Crudup. JESUS-MARY-JOSEPH! Morri!

Começa o filme. Eu já tinha contado qual era? Não? Pois fui ver  Coco & Stravinsky.

Estreou há algumas semanas, mas só agora consegui ver mais um trecho da história da uma mulher forte, independente, com um talento peculiar, um bom gosto invejável e uma paixão avassaladora por um homem que chora sangue compositor russo. Sim, TINHA que ser um romance.

Nas palavras da (também romântica) BBC, “an affair to remember”.

Saio do cinema e já tem uma brisa. O  tempo está sempre mudando.  Volto para casa e guardo o ingresso do cinema na agenda.  Não é um diário, mas é um caderno de lembranças.

Neste dia, eu fiz mais um programa de Mulherzinha – assim mesmo, com caixa alta e no diminutivo. Um programa nem melhor nem pior que o seu; mas é meu e  muito bom.