Cinemateca OS INDICADOS: ODEON

“O quê? Você foi ao cinema?”. Essa é sempre a reação que causo.

Para mim, ir ao cinema em um outro país é também um programa cultural e, principalmente, uma oportunidade para acompanhar de perto os hábitos dos nativos.

Por exemplo, você sabia que, em Portugal, há uma pausa no meio do filme? Sim, há um intervalo, durante o qual as luzes são acendidas, todo mundo sai da sala e aproveita esses minutinhos para tomar um café ou ir ao toilette.

Os madrilenhos não tem um hábito inusitado, digamos, como os portugueses, mas até não consigo descrever a emoção que senti ao ver Volver na terra Almodóvar. Aliás, só um filme espanhol ou em castelhano merecer ser visto na Espanha, porque não existe filme legendado lá. Tom Hanks, Julia Roberts, todo mundo soa como Antonio Banderas e Penélope Cruz.

Na Inglaterra, o ingresso para o cinema é tão caro quanto no nosso Cinemark ou Kinoplex. Paga-se mais no Odeon e não é por serviços mais VIPs, como os oferecidos pelo Cidade Jardim.

O Odeon, localizado em Leicester Square, pertinho de Picadilly Circus, é o cinema das premieres. O primeiro 007 com Daniel Craig, por exemplo, estreou lá, com presença do Duque de Edinbugh e da Rainha Elizabeth II (veja notícia aqui).

Um pouco dessa história gloriosa é contada no segundo andar, ao qual você tem acesso somente após desembolsar quase 15 libras – e esse é o preço para estudante!!

A sala não tem frescura: boa poltrona, assentos marcados, lanterninha e um som que mata de susto nos primeiros segundos. Sim, de tão alto e tão bom.

O Odeon também padece do mesmo mal que as nossas redes – há um excesso de filmes publicitários, uma maneira de engordar o faturamento das cadeias e irritar os clientes.

O filme que fui ver? Bom, esse é outro post.

Serviço:

Odeon Cinemas

Construído em 1937, 24-26 Leicester Square, em Londres.

O Odeon já passou por várias mãos e pertence hoje ao Grupo UCI.

 

 

 

Scott Pilgrim Contra o Mundo por Melhor Idiota, Melhor Luta e Melhor Amigo Gay

Michael Cera (Juno, 2007) é o idiota da vez e faz o trabalho com perfeição, sem fazer esforço. A entrevista dele na última Rolling Stone mostra isso, um típico garoto mesmo,  sem grandes ambições, sem muita maturidade, meio avoado, mas que parece ter um bom caráter e, é por tudo isso, que ele  ganhou as graças dos estúdios e dos fãs. Ouso associar seu carisma e a empatia que gera no público com a mesma do Bob Esponja com as crianças. Ele é non sense, ele é meio bobalhão, ele não se esforça para ser assim e, por isso, todo mundo gosta. E Michael é um desses idiotas que a gente gosta no papel de Scott Pilgrim.

Scott Pilgrim contra o Mundo (2010) chegou tímido as telonas brasileiras. Em são Paulo só duas salas Cinemark, nos Shoppings Santa Cruz e Shopping D em horários difíceis nos dois shoppings sempre mega lotados (O problema não é muita gente. O problema é muita gente feia). Não é nenhum blockbuster, não creio que tenha a pretensão de ser, adaptado de um comic book do mesmo nome. E está tudo ali, cada quadrinho, fala, as referências ao universo pop das últimas décadas, de videogames ao seriado Seinfield.

Não sou fanático pelo comic, mas gostei da adaptação para o cinema, das onomatopéias visíveis voando nas cenas, do início com o logo da universal feito em 8bits lembrando meu antigo Snes.  As referências aos jogos de luta de videogames da década de 80/90 (Mortal Kombat e Street Fighter) ficaram melhores ainda na telona. Em alguns momentos, você não está mais assitindo a um filme e sim parece estar assistindo a uma partida de Street Fighter. E isso é nostálgico e bacana. Outro ponto a ser destacado são as músicas e a volta do irmão cara de louco do Macaulay Culkin, Kieran Culkin como o melhor amigo gay do Scott. Um dos melhores e mais legais amigos gays do cinema, sem exageros, sem  estereótipos.

Não espere um grande roteiro #fail. A narrativa cansa em alguns pontos e você tem a sensação de que o filme dura mais que as tradicionais 2 horas. E a história bizarra de 7 ex namorados do mal que chegam para aniquilar Scott Pilgrim não chega a se super empolgante na telona. Mas as cenas de luta são bem legais e me fez querer ver como esse jovem ator vai crescer e  se comportar em outros papéis menos idiotas.

Abs,

Filipe Alberto