Ah…o amor… por Melhor Teoria

Recentemente, o cineasta Marco Bellocchio disse à Folha de S.Paulo que o cinema italiano não vive uma má fase. “Mas quantos filmes italianos chegam ao Brasil? O que vocês conhecem?”, perguntou.

É mesmo. É muito mais fácil encontrar filmes argentinos e franceses nos nossos cinemas do que italianos. E, olha, que até comédias românticas eles fazem.  É o caso de Ah…O Amor.

Lançado em 2009,  o longa segue a receita de Simplesmente Amor e acaba sendo muuuuito melhor que Idas e Vindas do Amor, para mim a Maior (e não melhor) decepção de 2010.

Ah…O Amor é romântico, é engraçado e é exagerado (afinal, é italiano!!). Em outras palavras, uma deliciosa sessão da tarde.

E ainda tem uma teoria que pode render boas conversas de cocotas (ou explicar muita coisa):

Amor é uma doença perigosa, que ao contrário de sarampo e catapora, pode nos contagiar várias vezes durante a nossa vida.

VOU AMAR VOCÊ PRA SEMPRE.

VOCÊ É A MULHER DA MINHA VIDA

Mas, sobretudo,

NUNCA VAMOS NOS DEIXAR.

São as típicas frases que dizemos quando estamos apaixonados. Qual de vocês já disse pelo menos uma vez?

É isso! Evidentemente não sabiam que a dopamina, um neurotransmissor, aumenta na fase inicial da paixão. Digamos que a dopamina é uma espécie de droga natural, que nos faz ver o mundo colorido.

Mas esses valores tendem a se normalizar no período de dois anos. Pessoal, está cientificamente provado, que o amor romântico e passional acaba depois de menos de 1000 dias, a partir do primeiro beijo.

(…)

Conformem-se com isso. Mais dia, menos dia, na nossa vida, estamos todos fadados a virar um EX!

Não é?

PS1:  É claro que Ah…O Amor também tem declarações de amor. Eu gosto da fita cassete com músicas e a inscrição “Ti Amo, Sogno” e a do quebra-cabeça (a namorada vai morar na Nova Zelândia e na mala encontra um envelope com uma peça do quebra-cabeça que ela e o namorado estavam montando –  entrelinha: tá faltando um pedaço. Ã? ã? ã?)

PS2:  Ah…O Amor é dirigido por Fausto Brizzi.

PS3: Marco Bellocchio é um conhecido cineasta italiano, que lançou recentemente Vincere no Festival de Cannes.

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Nine por Melhor Prostituta

No último fim de semana, eu entrei no cinema muito nervosa. Estava morrendo de medo de me decepcionar com NINE, tamanha a expectativa que criei em torno desse filme.

Eu adoro musicais, tinha adorado o trailer, ficado apaixonada pelo pôster, impressionada com a tropa do Signor Guido Contini

Assim que o filme começou, todo o medo evaporou. E foi aquele que chamei de chato aqui nesse blog o responsável por isso.

Eu fiquei apaixonada por Guido Contini – pelo talento, pela atuação, pelas covinhas…

Entre tantas mulheres maravilhosas (e vocês sabem que adoro Lady Judi e Penélope), destacam-se Sophia Loren, deslumbrante aos 75 anos, e…

Marion Cotillard, graciosa e talentosíssima como Luisa Contini.

A minha cena preferida, porém, é com Saraghina, a prostituta interpretada por Fergie. Eu fiquei com muita vontade de tocar o pandeiro, subir na poltrona do cinema, cantar feito louca  Be Italiaaaaaaaaaaaaaan e, ao final, aplaudir de pé.  

PS1: Não havia nove mulheres na vida de Guido Contini. Nine faz referência ao filme , de Fellini, diretor que, segundo o The Guardian, fazia um cinema “of visually expressed emotions rather than intellectual rigour”.

PS2: Fellini ganhou seu terceiro Oscar por , que foi lançada em 1963.

PS3: A Fergie engordou 6 quilos para viver Saraghina. No último Grammy, porém, deu para perceber que ela já voltou a antiga forma.

PS4: Nine estreou na Broadway em 1982 com Raul Julia no papel de Guido. Dez anos depois, em Londres, foi a vez de Jonathan Pryce assumir o papel do diretor italiano.

PS5: Nine também está no Oscar: Direção de Arte, Costume Design, Atriz Coadjuvante (Penélope Cruz) e Original Music (dessa vez, não é Cinema Italiano, mas Take it All)

PS6: Mais Nine aqui e aqui.

Sob o Sol da Toscana por Melhor Divórcio

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É isso mesmo que você leu. Melhor Divórcio.  Não se sinta mal se você não entendeu. Demorou um tempo para cair a ficha também na Frances Mayes, a personagem principal.  

Primeiro ela disse o seguinte sobre divórcio:  Do you know the most surprising thing about divorce? It doesn’t actually kill you. Like a bullet to the heart or a head-on car wreck. It should. When someone you’ve promised to cherish till death do you part says “I never loved you,” it should kill you instantly. You shouldn’t have to wake up day after day after that, trying to understand how in the world you didn’t know. The light just never went on, you know. I must have known, of course, but I was too scared to see the truth. Then fear just makes you so stupid.

Foi Martini, o anjo da guarda italiano, quem a lembrou sutilmente que as coisas não eram bem assim. Veja o que aconteceu depois que o marido a trocou por outra:

1 –  ganhou de presente uma viagem pela Itália com TU-DO PA-GO;

2 – comprou por um impulso uma vila e fez um bom negócio;

3- passou a trabalhar (ela era escritora) de seu home office paradisíaco;

4 – podia, sempre que desse na telha, fugir para Roma.

5 – criou confusão com um italiano encorpado maravilhoso que a chamava de tesoro;

6 – tomou um fora do mesmo italiano encorpado maravilhoso que chamava todas as outras de tesoro.  E como Pollyana nos ensinou a ver o lado bom das coisas, nós podemos dizer que uma experiência como aquela não só agrega ao currículo como também conta mais pontos por ter acontecido em um dos lugares mais lindos do mundo, Positano;

7 – manteve os velhos amigos e fez novos, como Katherine, que dizia ter sido descoberta pelo cineasta italino Federico Fellini. Entre uma loucura e outra, ela soltava algo interessante que o Fefê teria ensinado como Regrets are a waste of time. They’re the past crippling you in the present;        

8 –  conquistou tudo que ela sempre quis. 

PS1:  Sandra Oh interpreta Patti, a amiga lésbica e grávida de Frances. O humor da personagem é bem parecido com o de Cristina Yang, de Grey’s Anatomy, só que menos ácido e mal humorado.

Uma das minhas passagens favoritas é quando Patti comenta que as árvores italianas são estranhas e emenda:  They’re creepy. Creepy Italian trees. Of course, the baby’s going to like them cause it’s going to be a creepy Italian baby who goes around saying things like ‘Ciao mama’ and doing that weird backward hand wave thing. Life is strange. 

PS2: Outra frase que eu adoro nesse filme é dita pelo bello Marcello: If you smash into something good, you should hold on until it’s time to let go.

PS3: A Diane Lane, que interpreta a Frances Mayes e ganha novo espaço aqui no blog, é casada com o Josh Brolin. Enteado de Barbra Streisand, ele foi indicado ao Oscar desse ano pela sua atuação em Milk. Embora tenha outros filmes no currículo, o primeiro papel continua sendo, na minha opinião, o mais inesquecível.  Josh era o irmão mais velho dos Goonies.

Os dois formaram um lindo par no Oscar (vejam as fotos aqui), mas a In Touch Weekly disse, em maio passado, que o gato pode ter subido no telhado.

PS4: O filme é bem diferente do livro. É bem hollywoodiano e mais romântico. No livro, Frances Mayes conta sobre sua decisão de comprar uma casa na Toscana e cada detalhe da restauração do lugar, que durou três anos.  Não tinha nada de divórcio na história. Pelo contrário, a aventura italiana foi compartilhada com o marido e com a filha.

Quem é apaixonado pela Itália não tem como não gostar do livro também, que expõe tradições locais e pontos turísticos, além das férias e os fins de ano da família em Bramasole. Traz, ainda, receitas e temperos utilizados na Toscana.