Frame: IMS/RJ

Depois de Paris, San Sebastián, Moscou e Toronto, é a vez do Rio de Janeiro receber a mostra Tutto Fellini, que conta, por meio de 400 itens, a trajetória e os bastidores dos filmes criados pelo diretor italiano.

A exposição está em cartaz no Instituto Moreira Salles e recebe, pelo menos no dia em que visitei,  poucos visitantes. Um desperdício! Federico era divertido e inspirador.

Aos 19 anos, deixou Rimini com destino a Roma, certamente uma das suas grandes paixões. Iniciou a carreira como caricaturista, passando a colaborar para roteiros de cinema na década de 40. Foi Roberto Rosselini quem o puxou para sers seu assistente de direção em Roma, Cidade Aberta (1945). Três anos depois, ele seria o protagonista de outro filme (L’Amore) do amigo, baseado em um conto russo que o próprio Fellini inventou.

Os brothers, quer dizer, fratelli Fellini e Rossellini

Em 1950, Fefé assumiria o comando de uma série de clássicos, incluindo, é claro, A Doce Vida, tema deste blog ontem (clique aqui).

Embora Fellini tenha conseguido reconhecimento internacional com A Estrada da Vida, vencedor do Oscar de 1954, Roma de Fellini é um dos filmes que mais chama a minha atenção. Na exposição, descobre-se, por exemplo, que a prostituta do poster, com seus seios fartos, reprsentam a criação de Roma e a lenda da loba que alimenta os gêmeos Rômulo e Remo.

 

Ao longo da mostra, conhece-se também um pouco mais sobre a personalidade de Fellini:

“Acho que o estúdio é o lugar em que as imagens que vimos em imaginação podem ser realizadas, com controle de tudo, exatamente como faz um pintor com seu pincel sobre a tela

Não sei olhar para as coisas com distanciamento. Através da câmera, por exemplo. Não quero nem saber da lente objetiva. Tenho que estar no meio das coisas. Tenho necessidade de conhecer tudo sobre todos, de fazer amor com tudo que está ao meu redor”

Minha relação com a música é de defesa. Eu tenho a sensação de que a música estabelece uma comunicação misteriosa que se apossa de você quase totalmente. Então, para afirmar minha autonomia, eu a recuso

“A prostituta é o contraponto essencial da mãe italiana. Não se pode conceber uma sem a outra. E assim como a nossa ãe nos alimentou e vestiu, assim também – e falo por minha geração – a prostituta nos iniciou na vida sexual”


A relação com Marcello Mastroianni, que participou de vários filmes e chegou a interpretar Fellini nas telonas, também é bem explorada na mostra.

Em Tutto Fellini, a incursão do diretor italiano no mundo publicitário é citado bem en passant. Salve o Youtube e seus usuários que permitem o resgate dessas jóias – como o comercial para a Campari

…e Barilla (meu preferido!!! Rigatone!!!), ambos em 1985…

…e último, em 1992, um ano antes da sua morte, para Banca di Roma.

 

Fellini morreu em 1993, em Roma, onde morava com a esposa, Giulietta Masina, uma das suas musas. Ela faleceu meses depois.

PS:  O Instituto Moreira Salles fica  na Rua Marquês de São Vicente 476, na Gávea. A entrada é gratuita. O espaço é uma atração à parte, principalmente o painel de Burle Marx. Não deixe de ver!

Um gostinho do painel de Burle Marx, no IMS

PS2: Pensando na Copa/Olimpíadas e em atrair mais visitantes, o IMS poderia inserir em seu site mais orientações sobre como chegar ao local, que é bem fora de mão. Google Maps, indicações de linhas de ônibus, taxi na porta, tudo isso ajuda a atrair turistas. A lojinha do espaço também poderia ser mais bem trabalhada. Quem não curte um souvenir? E um souvenir que caiba nos mais diferentes bolsos? Já adianto: cartão-postal a R$3, por exemplo, não dá. Só uma louca por Fellini e Roma compraria. o/

PS3: Alô, paulistas! Tutto Fellini chega a SP em julho. Fiquem ligados!

PS4: Amanhã tem mais um pouquinho de Fellini. Aguarde!

PS5: Aproveite o embalo e veja nosso post com 10 comerciais feitos por diretores de cinema.

A Doce Vida por Melhor Devaneio

Quem nunca sonhou em se perder pelas ruas de Roma, se refrescar na Fontana di Trevi e sensualizar com um tomara-que-caia para um italiano bonitão, hein?

 

PS: Repare no miau desesperado do gatinho. Esse gato não ia com a cara da Sylvia, não. #ProntoFalei

PS2: #Fato A cena acima foi inspirada em uma série de fotos de Pierluigi Praturlon publicada em um diário italiano em 1958. Nelas a própria Anita Ekberg se banhava na fonte.

PS3: Miss Suécia em 1950, Anita foi capa de revistas do mundo inteiro. Até da Playboy, em 1979.

PS4: Anita possui 81 anos e vive em um asilo próximo a Roma. A foto abaixo foi tirada em 2010 durante o festival de cinema italiano.

PS5: Vou falar mais de Fellini no post de amanhã. Preparem-se!

Elsa & Fred por Melhor Infração

Virar vovô tem uma vantagem: a fragilidade aparente facilita você a cometer qualquer infração. Ninguém espera de um velhinho simpático uma atitude errada (a Lilian Witte Fibe bem sabe). 

A minha indicação de hoje é do filme Elsa & Fred, um filme argentino de 2005.

Fred é um viúvo hipocondríaco que descobre em Elsa, sua vizinha imprevisível, um novo amor. A Elsa é uma figura e eu gosto ainda mais do filme, porque o Fred é igual ao meu avô: aquele típico velhinho meio ranzinza.

O filme é imperdível. A história dos dois é emocionante. A infração, tenho certeza, todos já pensaram em cometer: ir a um restaurante chique e sair sem pagar a conta.

O simpático casal comete outra pequena infração no filme, entram na Fontana Di Trevi em uma linda cena em homenagem a La Dolce Vita. Tudo para terem momentos inesquecíveis e viverem a vida plenamente.

PS1: Aqui a cena homenageada de Federico Fellini com Anita Ekberg e Marcello Mastroianni:

PS2.: O monumento romano tem até filme no seu nome.

PS3.: E também já foi lembrado por aqui .

Abs,
@abelardobarbosa