Crítica: Comer Rezar Amar

Eu demorei para ver Comer Rezar Amar.  Estava ansiosa para ver Roma, para me encantar (de novo) com  Julia, para me surpreender com o Ryan Murphy, para babar pelo Javier Bardem… mas demorei porque não gosto de filas e também porque desanimei com a decepção de alguns amigos e familiares com o filme.

Comer Rezar Amar não é para qualquer um, assim como qualquer livro de auto-ajuda. Não é profundo e nem ter que ser.

Comer Rezar Amar é sobre uma experiência. Mais do que largar o emprego e o conforto para viajar o mundo , é a transformação,  olhar o mundo de outra forma, dar-se a oportunidade de enxergar beleza e vida em pequenas coisas, perdoar-se e ter coragem de viver tudo de novo.

Não é qualquer um que entende isso, que se conecta com isso. Eu mesma, quando li o livro, não me envolvi  tanto. Fixei-me em Roma, a minha cidade dos sonhos, a mais linda do mundo, a que transformou a minha vida. O Bel Far Niente, como destaca a didática conversa na barbearia.

No filme, o Rezar e o Amar tiveram outro significado para mim. Emocionei-me com a dolorosa busca pela paz interior. Chamou minha atenção o conselho de Richard: pense na pessoa, mande amor e luz e esqueça.

O romance tornou-se pequeno perto do medo de perder algo tão difícil de ser encontrado: o equilíbrio.  Javier Bardem só ganhou dinheiro e popularidade com esse filme, porque a cena em que chora, ao se despedir do filho, dá vergonha, assim como seu portunhol. E daí, né?  Se o mote é equilíbrio, a atuação (ou papel?) fraca é compensado pelo seu charme latino.  Um pouco de colírio nunca é demais nessa vida, certo? 😉

No mais, destaco Julia, mais linda do que nunca. Eu realmente acho que há algo em certas pessoas. Um carisma inexplicável. Julia é uma delas. Alguém consegue não reagir quando ela abre aquele sorrisão?

PS1:  O filme deixou de fora o trecho que eu mais gostei no livro. Veja aqui.

PS2: Lembrem-se:  “My Guru says that people universally tend to think that happiness is a stroke of luck, something that will maybe descend upon you like fine weather if you’re fortunate enough. But that’s not how happiness works. Happiness is the consequence of personal effort. You fight for it, strive for it, insist upon it, and sometimes even travel around the world looking for it”

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Frame: A vida não é doce como em Comer Rezar Amar

Todo mundo só fala de Comer Rezar Amar.  Fotos dos protagonistas pipocam por todos os lados.  A imprensa brasileira adora, principalmente, enfatizar que Javier interpreta um brasileiro.

Mas você já viu a cara do verdadeiro Felipe?

É… quem vê cara não vê coração.  Muito menos um Javier Bardem.

Pause: Programa de Mulherzinha

E numa dessas noites quentes, decido mudar o roteiro. Ligo para alguns amigos –  os que não estão no trabalho, não estão no mesmo ritmo que eu. Paciência. Corro para casa e, entre goles de cerveja, troco a roupa de trabalho pela de férias – saia e sandália. Volto para a rua e o cinema é o meu destino.

Consigo um assento no meu local preferido: na frente, para poder sair logo, mas não colada na tela; no meio e na distância ideal para me sentir dentro do filme. Irrito-me com as propagandas:   não tem como zapear, não tem como apressar, target errado… e a minha ansiedade só aumenta. Quero que comece logo a sessão. E para mim a sessão começa nos trailers.  

Ah, os trailers. Eu sempre gostei dessa parte. Aliás, é coisa de família. Eu e meu irmão sempre ficamos alucinados com os teasers e você há de convir que ver na telona é outra coisa.

O primeiro foi Nosso Lar, baseado na obra de Chico Xavier.

Não me enche os olhos, mas tenho que admitir: acho que é o filme nacional com mais efeitos que já vi. Não se compara a um hollywoodiano, mas também não faz feio. É um começo.

Depois vem, Amor à Distância. Eu gosto muito da Drew Barrymore e tenho certeza que já disse isso aqui. Acompanho a carreira dela desde pequena – aliás, poderíamos dizer que crescemos juntas (embora ela seja 4 anos mais velha que eu). Sempre tive carinho pela menininha dedo-duro do ET (o meu irmão até dizia que eu era chata que nem ela).

Hoje, muitos anos depois, continuo fã da Drew, cujos filmes são sempre muito bons. Pode ser drama, comédia, ação… nunca saio decepcionada. E esse Justin Long… tô de olho.

CERTEZA que esse filme vai entrar para a minha DVDteca de comédias românticas.

Daí aparece Comer, Rezar e Amar e esse é um dos momentos que você tem certeza de que nada se compara ao cinema.  Eu li o livro em 2007, sei o que vai acontecer… mas tem a Julia. E, depilada ou não, Julia brilha, minha gente.  Brilha mais ainda na telona.

E eu, que já estava satisfeita, passo mal com as poucas cenas de Roma, a cidade mais linda do mundo, e  com as imagens de Javier Bardem, James Franco e Billy Crudup. JESUS-MARY-JOSEPH! Morri!

Começa o filme. Eu já tinha contado qual era? Não? Pois fui ver  Coco & Stravinsky.

Estreou há algumas semanas, mas só agora consegui ver mais um trecho da história da uma mulher forte, independente, com um talento peculiar, um bom gosto invejável e uma paixão avassaladora por um homem que chora sangue compositor russo. Sim, TINHA que ser um romance.

Nas palavras da (também romântica) BBC, “an affair to remember”.

Saio do cinema e já tem uma brisa. O  tempo está sempre mudando.  Volto para casa e guardo o ingresso do cinema na agenda.  Não é um diário, mas é um caderno de lembranças.

Neste dia, eu fiz mais um programa de Mulherzinha – assim mesmo, com caixa alta e no diminutivo. Um programa nem melhor nem pior que o seu; mas é meu e  muito bom.